EU!

Sim, é um post sobre mim.


Eis que ponho o mundo a contemplar a minha imagem. O que tem de especial esta fotografia tirada com o telemóvel num ângulo à la Paraíba, perfeita para o Hi5 de uma miúda em plena adolescência? Bem, em primeiro lugar o que se apresenta nesta imagem não é uma adolescente mas sim uma criança acabada de acordar após um longo período imersa num torpor de trabalhos, frequências e exames. De seguida, não é uma qualquer imagem, é o retrato de uma mente e corpo moldados pelas experiências vividas num ano intenso. 
Ser caloira em Coimbra foi o suficiente para construir uma qualquer estatueta ou pote bizarro a partir de um aglomerado amorfo de barro nunca antes trabalhado. Também me proporcionou uma oportunidade pela qual estou eternamente grata: conhecer pessoas novas! Pessoas que não são da Figueira, que boas ou más, são diferentes, não pensam como as que eu conhecia até então. Não consigo explicar a alegria total de descobrir que não conhecia ninguém no meu curso. Tábua rasa, rebirth, uma lufada de ar fresco tão boa que dava vontade de respirar profundamente a cada inspiração. Uma sensação de liberdade social incrível que me permitiu crescer decentemente, ao fim de muitos anos de decomposição moral e atrofiamento de ideias. 
E por falar em liberdade, esta oportunidade de viver com uma das minhas melhores amigas, de ter o meu canto, de não ter horários, de andar na rua à noite em meses quentes a horas impróprias quando comparadas com as estabelecidas até então, esta oportunidade de ser ainda mais responsável pelo que é meu e por mim é tão imensamente boa.
Quando olho para o retrato que vos dou a conhecer vejo a janela do meu quarto totalmente aberta, sinto o ar quente do dia 18 de Julho por volta da hora de almoço, sinto na pele a suavidade da t-shirt que a Sandra me deu dias antes, lembro-me da tortura que foi percorrer o caminho até à ourivesaria para furar as orelhas com a Salomé e penso que foi o último dia de aulas do ano mais completo e complexo da minha vida.
E sei ainda que depois daquele dia eu saí à noite e vomitei o que recentemente tinha entrado no meu estômago e também aqueles risos presos algures no passado e que nunca tinham tido uma oportunidade de se fazer ouvir. 

Sim, esta fotografia diz-me muito. Não sei porque a tirei, acho que devia estar feliz.
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